A delegada de Polícia Civil Layla Lima Ayub, de 36 anos, reconheceu à Corregedoria que cometeu “uma bobeira” ao atuar como advogada de um faccionado do Comando Vermelho em uma audiência de custódia realizada em Marabá, no Pará, apenas dez dias após tomar posse como delegada da Polícia Civil de São Paulo, quando levou ao evento seu namorado, líder da facção em Roraima. A audiência ocorreu em 28 de dezembro, mesmo sem a formalização do cancelamento de sua inscrição na OAB.
“Dei bobeira”, afirmou Layla durante um interrogatório que durou cerca de cinco horas, segundo o Estadão. A declaração foi dada aos investigadores da Corregedoria, que apuram a atuação da delegada em processos envolvendo organizações criminosas mesmo depois de assumir o cargo público.

Layla foi presa na manhã de sexta-feira (16) em um sobrado na zona Oeste de São Paulo, junto com o namorado, Jardel Neto Pereira da Cruz, conhecido como “Dedel”. Com ela, os agentes apreenderam dois celulares e um terceiro chip telefônico. Jardel havia acompanhado Layla na cerimônia de posse realizada no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, evento que contou com a presença do governador Tarcísio de Freitas.
Durante o depoimento, Layla demonstrou irritação ao falar do ex-marido, delegado de Polícia no Pará. Segundo investigadores, ela está “raivosa” com o ex-companheiro e acredita que ele tenha sido responsável por impulsionar as denúncias que chegaram de forma anônima ao Gaeco, braço do Ministério Público de São Paulo especializado no combate ao crime organizado, e à própria Corregedoria. A suspeita é de que ele tenha repassado informações sobre a atuação de Layla na defesa de faccionados.
Segundo o G1, as apurações apontaram que ele se apresentava como representante da facção paulista e cobrava das lideranças locais ações mais agressivas, incluindo a articulação de ataques contra autoridades do Judiciário, do sistema prisional e integrantes das forças de segurança.
Natural de Santa Inês, no Maranhão, Jardel também chamou atenção dos investigadores pelo conteúdo publicado nas redes sociais. Em um dos textos atribuídos a ele, escreveu: “Penso Como Um Assassino Vivo Como Um Psicopata Executo As Minha Ações Como Um Bom Calculista Que Sou, E Depois Apenas Relaxo E Vejo Sangue Escorrendo Entre Os Dedos Forte Leal Abraço”.
A expressão “Forte Leal Abraço”, segundo a Polícia Federal, é usada como forma de tratamento entre integrantes do PCC. Em documentos apreendidos, a corporação também destacou trechos do estatuto da facção, como o item que afirma: “Lutar sempre pela paz, justiça, liberdade, igualdade e união, visando sempre o crescimento da organização, respeitando sempre a ética do crime”.
A prisão da delegada Layla Lima Ayub ocorreu no âmbito de uma operação do Ministério Público de São Paulo que investiga a infiltração do crime organizado em estruturas do Estado. De acordo com as investigações, ela mantinha vínculos pessoais e profissionais com integrantes do PCC e teria exercido irregularmente a advocacia mesmo após assumir o cargo de delegada, em dezembro de 2025.
Em seu depoimento, ela admitiu que “deu bobeira” ao atuar como advogada ao namorado e outros membros do PCC. Ela também se mostrou irritada com o ex-namorada que é delegado de Polícia no Pará e teria contribuído para sua prisão. Segundo o Estadão, Layla está “raivosa” com o ex.
Segundo o Ministério Público, Layla e Jardel são investigados por organização criminosa e lavagem de dinheiro. A Justiça decretou a prisão temporária do casal e autorizou buscas em endereços em São Paulo e no Pará. Jardel chegou a aparecer ao lado da delegada na cerimônia de posse realizada no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista.





