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Porto Velho
31 janeiro 2026

Execução na UTI: técnico aplicava desinfetante em pacientes

O técnico de enfermagem Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, de 24 anos, apontado como o principal responsável pela sequência de homicídios registrados na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Anchieta, em Taguatinga (DF), passou a ser tratado pela Polícia Civil do Distrito Federal como o líder de um grupo que teria assassinado pacientes utilizando a própria estrutura hospitalar.

Jovem, com cerca de cinco anos de atuação na área da saúde, ele construiu sua trajetória profissional em unidades de alta complexidade, onde tinha acesso direto a medicamentos e pacientes em estado grave.

Segundo o Metrópoles, a investigação aponta que Marcos Vinícius trabalhou aproximadamente um ano no Hospital Anchieta, período em que ocorreram ao menos três mortes consideradas suspeitas pela direção da instituição, sendo que em duas delas houve relato de melhoras dos pacientes.

Entre 17 de novembro e 1º de dezembro, morreram João Clemente Pereira, de 63 anos, servidor da Caesb; Marcos Moreira, de 33, funcionário dos Correios; e Miranilde Pereira da Silva, professora aposentada, de 75 anos. As circunstâncias chamaram a atenção do hospital, que decidiu instaurar uma apuração interna antes mesmo da atuação policial.

Demonstrando experiência e mobilidade no mercado de trabalho, Marcos Vinícius foi desligado do Anchieta ainda durante essa investigação administrativa. Mesmo assim, conseguiu se recolocar rapidamente e passou a atuar em uma UTI pediátrica de um hospital particular do Distrito Federal.

Para a Polícia Civil, o fato reforça a gravidade do caso, já que o suspeito continuou exercendo funções sensíveis mesmo após os crimes que agora admite ter cometido.

A prisão ocorreu com a deflagração da Operação Anúbis, quando Marcos Vinícius foi detido ao lado de duas técnicas de enfermagem apontadas como auxiliares diretas, Amanda Rodrigues de Sousa, de 28 anos, e Marcela Camilly Alves da Silva, de 22. Em depoimento prestado após a prisão, o técnico de enfermagem confessou os homicídios.

Em depoimentos, o suspeito deu três versões diferentes. Inicialmente, ele e as colegas negaram irregularidades, sustentando que apenas aplicavam medicamentos prescritos por médicos. Em outra versão, disse que teria provocado as mortes para “aliviar o sofrimento das vítimas”. Em seguida, apresentou uma terceira explicação, alegando que o hospital estava “tumultuado” e que ele teria agido “por estar nervoso”.

No entanto, confrontados com provas técnicas e laudos, admitiram os crimes sem demonstrar arrependimento, segundo os investigadores.

As apurações indicam que Marcos Vinícius teria sido o responsável direto pela aplicação de medicamentos não prescritos em pacientes internados na UTI. No caso de Miranilde Pereira da Silva, a investigação aponta um grau ainda maior de crueldade: mais de dez seringas de desinfetante teriam sido injetadas no organismo da vítima. A motivação para os crimes ainda não foi esclarecida e segue sob investigação.

Para a Polícia Civil, Marcos Vinícius exercia papel de liderança no grupo, orientando e contando com o apoio das outras técnicas de enfermagem. A investigação trabalha com a hipótese de homicídio doloso qualificado, com impossibilidade de defesa das vítimas, e não descarta a existência de outros casos ainda não identificados. “A investigação continua. Vamos investigar se existem outras vítimas naquele hospital”, afirmou o delegado Wisllei Salomão.

O Hospital Anchieta informou, em nota, que foi o responsável por acionar as autoridades após identificar padrões atípicos nas mortes ocorridas na UTI. “O hospital instaurou investigação, por iniciativa própria”, declarou a instituição. Segundo o comunicado, com base nas evidências levantadas internamente, a direção solicitou a abertura de inquérito policial e a adoção de medidas cautelares, incluindo a prisão dos envolvidos, que já haviam sido desligados.

“O Hospital, enquanto também vítima da ação destes ex-funcionários, solidariza-se com os familiares das vítimas, e informa que está colaborando de forma irrestrita e incondicional com as autoridades públicas, reafirmando seu compromisso permanente com a segurança dos pacientes, com a verdade e a Justiça”.

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