A delegada Ana Paula Lamego Balbino Nogueira, da Polícia Civil de Minas Gerais, foi afastada de suas funções por 60 dias após a morte do gari Laudemir de Souza Fernandes, em Belo Horizonte. O afastamento, publicado no Diário Oficial do estado, foi concedido como licença médica para “tratamento de saúde” e começou em 13 de agosto. O caso envolve seu marido, o empresário René da Silva Nogueira Júnior, preso por confessar o disparo que matou o trabalhador durante uma suposta discussão de trânsito.
A Corregedoria da Polícia Civil instaurou procedimento disciplinar para apurar a conduta da delegada, já que perícia confirmou que a pistola calibre .380 usada no crime pertencia a ela. René afirmou ter usado a arma sem o conhecimento da esposa. Apesar disso, o Ministério Público de Minas Gerais pediu a “responsabilização solidária” da investigadora, ressaltando que tanto a arma quanto o carro envolvidos estavam em nome dela.
O MP também solicitou o bloqueio de bens do casal, estimados em R$ 3 milhões, para garantir uma possível indenização à família da vítima. O pedido foi negado pela Justiça, mas segue em análise. A defesa da família do gari argumenta que Laudemir era chefe de família e único provedor de uma criança, e que a morte deixou danos materiais e morais irreparáveis. O advogado destacou ainda a “extrema periculosidade” do crime, cometido em plena luz do dia.
Segundo testemunhas, René se irritou com a passagem de um caminhão de coleta de lixo e ameaçou a motorista antes de atirar contra os garis. Ele responderá por homicídio duplamente qualificado, porte ilegal de arma e ameaça. O juiz do caso afirmou que a frieza da ação e a desproporcionalidade do ato demonstram risco à ordem pública, razão pela qual o empresário segue preso preventivamente.






