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8 julho 2026

Ao apoiar Lula, Tebet diz que importante é derrotar Bolsonaro

Folha   – A senadora Simone Tebet (MDB-MS), terceira colocada na disputa pela Presidência, declarou, nesta quarta-feira (5), apoio no segundo turno ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) dizendo não reconhecer no atual mandatário, Jair Bolsonaro (PL), compromisso com a democracia.

“Ainda que mantenha as críticas que fiz ao candidato Luiz Inácio Lula da Silva, em especial nos últimos dias de campanha, quando cometeu o erro de chamar para si o voto útil, o que é legítimo, mas sem apresentar suas propostas para os reais problemas do Brasil, depositarei nele o meu voto, porque reconheço seu compromisso com a democracia e a Constituição, o que desconheço no atual presidente”, afirmou Tebet em pronunciamento.

Tebet afirmou que, nos últimos quatro anos, o Brasil foi abandonado na fogueira do ódio e das desavenças. Segundo ela, a diversidade brasileira está esmigalhada por todos os tipos de discriminação.

“Neste ponto, um desabafo: de que vale irmos às nossas igrejas, proclamar a nossa fé, se não somos capazes de pregar o evangelho e respeitar o nosso próximo nos nossos lares, no nosso trabalho, nas ruas de nossa pátria?”

Tebet disse ainda que seu apoio “não é por adesão”. “Meu apoio é por um Brasil que sonho ser de todos, inclusivo, generoso, sem fome e sem miséria, com educação e saúde de qualidade, com desenvolvimento sustentável”, afirmou.

Ela disse manter críticas aos dois candidatos que disputarão o segundo turno e que ouviu apelos para que optasse pela neutralidade. Mas ressaltou: “Votarei com minha razão de democrata e com minha consciência de brasileira. E a minha consciência me diz que, neste momento tão grave da nossa história, omitir-me seria trair minha trajetória de vida pública”.

A senadora encerrou o discurso sinalizando a intenção de ir às ruas contra a reeleição de Bolsonaro. “Até o dia 30 de outubro, estarei nas ruas, vigilante; meu grito será pela defesa da democracia e por justiça social; minhas preces, por uma campanha de paz.”

Após o pronunciamento, em entrevista à GloboNews, Tebet desconversou sobre compor o ministério de Lula em caso de vitória do petista, como se ventila. Disse que o assunto não foi tratado entre ela e o candidato do PT e que seu apoio não foi condicionado a nenhum acordo.

“É preciso primeiro ganhar a eleição. Meu voto é independente de qualquer coisa, é pela democracia, Constituição e políticas públicas. Em nenhum momento foi apresentado ou oferecido cargos, e eu sequer aceitaria essa discussão. Não quero cargos, não quero ministérios, eu quero um Brasil que volte a ter paz”, afirmou a senadora.

Tebet disse ainda que estará em palanques regionais de candidatos que apoiem Lula ou onde houver composição com seu partido, sem restrições. Ela afirmou que agora espera a equipe de Lula responder se aceita incorporar à plataforma de campanha do petista as sugestões que ela apresentou.

Tebet e Lula almoçaram juntos em São Paulo, na casa da ex-prefeita Marta Suplicy.

O ex-presidente já havia conversado, nesta segunda-feira (3), com Tebet. Antes do telefonema, o vice da chapa de Lula, Geraldo Alckmin, também conversou com a senadora. Após uma série de contatos, o telefonema foi intermediado pela mulher do ex-presidente, a socióloga Rosângela da Silva.

Na manhã desta quarta, o MDB anunciou a posição de neutralidade do partido no segundo turno, liberando seus filiados para apoiar Lula ou Jair Bolsonaro (PL).

A posição de neutralidade do MDB vinha sendo questionada por alguns membros do partido, que pediam que o partido tomasse uma posição. O tesoureiro do partido, senador Marcelo Castro (MDB-PI) havia afirmado que seria necessário o MDB escolher um candidato pela sua “história em defesa da democracia, de liberdade, de estado de direito, de respeito às instituições”. A ala emedebista mais vocal defende apoio a Lula.

O petista também anunciou nas redes sociais que terá apoio do governador do Pará, Helder Barbalho (MDB). Ele compartilhou foto ao lado de Helder.

Tebet ficou em terceiro lugar na disputa presidencial, com 4,2% dos votos. Ela terminou a frente do pedetista Ciro Gomes (PDT), que ficou para trás na reta final da campanha.

O apoio da senadora a Lula já havia sinalizado logo após o anúncio do resultado do primeiro turno das eleições. No entanto, disse que aguardaria a posição dos presidentes dos partidos que participaram de sua coligação.

“Não esperem de mim omissão. Tomem logo [presidentes dos partidos da coligação] a decisão, porque a minha já está tomada. Eu tenho lado e vou me pronunciar no momento certo. Eu só espero que vocês entendam que esse não é qualquer momento do Brasil”, afirmou naquele momento a senadora em pronunciamento na sede do comitê de campanha.

 

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