A crise entre o governo de Rondônia e os profissionais da educação se agravou nesta quinta-feira (31) com o anúncio de greve por tempo indeterminado feito pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação no Estado de Rondônia (Sintero). A decisão, tomada durante assembleias simultâneas em todo o estado, reflete a crescente insatisfação da categoria com a falta de avanços nas negociações com o Executivo estadual.
No Cone Sul, a sede regional do Sintero ficou completamente lotada, evidenciando a força, a união e o engajamento dos servidores, mesmo diante de relatos de perseguições e assédio por parte de gestores que tentaram inibir a participação nas mobilizações organizadas pelo sindicato.
A deliberação pela greve foi motivada pela avaliação considerada negativa da proposta apresentada pelo governo durante reunião da Mesa Estadual de Negociação Permanente (MENP), realizada na manhã desta quinta-feira. As respostas às principais reivindicações da categoria — como auxílio-alimentação, auxílio-transporte, titularidade e valorização salarial — foram classificadas como insuficientes pelo sindicato e pelos trabalhadores presentes nas assembleias.
Para o Sintero, a decisão demonstra o esgotamento do diálogo com o atual governo, que tem evitado atender às demandas dos profissionais da educação ao longo de 2024. A greve se torna, agora, o principal instrumento de pressão da categoria, que reivindica medidas concretas e urgentes para garantir melhores condições de trabalho, valorização profissional e cumprimento dos direitos já conquistados.

VEJA A PROPOSTA DO GOVERNO
Auxílio-alimentação: aumento para R$ 500,00, que será pago a partir de setembro, com retroativo ao mês de agosto.
Auxílio-transporte: reajuste para R$ 200,00, destinado a servidores que recebem até quatro salários mínimos, com base no Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF). Isso considera o salário bruto após descontos legais, ou seja, aproximadamente até R$ 6.072,00 mensais.
Titulações: não houveram avanços na pauta. A secretária de educação, Ana Pacini, destacou que não há margem para aumento neste momento. Como compensação, o governo confirmou a criação de um abono a ser pago no final do ano, porém o valor dependerá das sobras orçamentárias e ainda não foi definido.
Concurso público: será unificado para professores e técnicos educacionais, com edital previsto para este ano e contratações a partir de 2026.
Recesso para técnicos educacionais: o governo se comprometeu a criar um projeto de lei para garantir 10 dias de recesso.
Equiparação salarial entre níveis N1 e N2: parecer da Procuradoria-Geral do Estado (PGE) deve sair até 5 de agosto.





