25 C
Porto Velho
18 março 2026

Descoberto esquema de venda de diplomas falsos em Rondônia

Investigações do Ministério Público Federal (MPF) e da Polícia Federal (PF) revelaram um esquema de fraude que operava cursos de pós-graduação sem autorização do Ministério da Educação (MEC), em Vilhena (RO) e outras cidades. As instituições envolvidas anunciavam parcerias falsas, usavam publicidade enganosa e emitiram diplomas irregulares.

Após as investigações, o MPF entrou com uma ação civil pública para suspender as atividades e responsabilizar os envolvidos. A ação também pede que os réus sejam condenados a pagar indenizações aos alunos e à sociedade pelos danos causados.

Segundo o MPF, os cursos prometiam diplomas reconhecidos por universidades brasileiras e estrangeiras, mas não tinham qualquer autorização oficial. As aulas eram oferecidas com duração de apenas 12 meses, aos fins de semana, com mensalidades entre R$ 450 e R$ 500. No final, os estudantes ainda eram cobrados entre R$ 9 mil e R$ 11 mil para participar das bancas e receber o diploma. O custo total chegava a R$ 22 mil.

Entre os investigados estão:

  • A antiga Umesam (Unidade de Mediação de Ensino Superior para a Amazônia), agora chamada Instituto de Pesquisa Educacional em Ensino Superior e Pós-Graduação (IPE);
  • A Faculdade Santo André (Fasa), mantida pela Associação Multidisciplinar de Rondônia (Multiron);
  • A empresa Amazônia Educação e Cultura (AEC);
  • Sete pessoas ligadas a essas instituições também foram processadas.

 

Como funcionava o esquema?

 

Segundo o MPF, o esquema funcionou entre 2014 e 2020. Os investigados montaram uma estrutura com aparência legal, mas sem qualquer autorização oficial. Eles ofereciam cursos de mestrado em áreas como educação, administração, saúde e engenharia.

Para dar mais credibilidade, anunciavam falsas parcerias com instituições como a Universidade Tiradentes (Unit), Universidade Fernando Pessoa (Portugal), Universidad de Desarrollo Sustentable (Paraguai), Universidade Visión Educacional (Chile), Uneb, UFMG e PUCRS. Nenhuma dessas parcerias era verdadeira.

Os cursos eram divulgados em sites, redes sociais, panfletos e eventos, inclusive em locais públicos como o auditório da Secretaria Municipal de Educação de Vilhena. As promessas incluíam titulação em apenas 12 meses, com aulas nos fins de semana e custos reduzidos.

As aulas eram ministradas por professores brasileiros contratados localmente, sem qualquer vínculo com as universidades estrangeiras mencionadas.

Alunos enganados

 

De acordo com o MPF, vários alunos descobriram que os diplomas recebidos não tinham validade e procuraram o órgão. Alguns documentos usavam indevidamente o nome de instituições como universidades Federal de Minas Gerais (UFMG), Estadual da Bahia (Uneb) e Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), que negaram qualquer ligação com os cursos.

Os estudantes pagavam mensalidades de R$ 450 a R$ 500 durante dois anos e, ao final, eram cobrados entre R$ 9 mil e R$ 11 mil para participar da banca e receber o diploma. O custo total chegava a R$ 22 mil.

Em muitos casos, os TCCs eram apresentados em bancas simuladas na própria Fasa, com participação apenas de representantes da Umesam/IPE.

Na ação, o MPF solicita que a Justiça:

  • Proíba os investigados de oferecer ou divulgar cursos de nível superior sem autorização do MEC;
  • Suspenda imediatamente as atividades ilegais, com multa diária de R$ 10 mil em caso de descumprimento;
  • Determine o pagamento de ao menos R$ 300 mil por danos morais coletivos;
  • Garanta indenização aos alunos, caso comprovados danos morais ou materiais;
  • Anule todos os diplomas e certificados irregulares emitidos.
  • Denúncia criminal

 

Além da ação civil, sete pessoas foram denunciadas por crimes como associação criminosa, estelionato e falsificação de documentos públicos.

Em um dos casos citados, mesmo após a descoberta da fraude, os responsáveis ainda tentaram convencer os alunos de que os diplomas eram válidos, enviando documentos falsos em nome da reitoria da UFMG. A universidade confirmou que o material era falso.

O que dizem as instituições citadas?

 

À Rede Amazônica, o setor jurídico da Faculdade Santo André (Fasa) e da Associação Multidisciplinar de Rondônia (Multiron), mantenedora da instituição, informou que os cursos oferecidos são devidamente regulamentados, seguem as diretrizes do Ministério da Educação e que estão à disposição da Justiça para contribuir com o processo.

A empresa Amazônia Educação e Cultura (AEC) não respondeu às tentativas de contato da reportagem.

A Rede Amazônica também tenta localizar a defesa da antiga Umesam, atualmente Instituto de Pesquisa Educacional em Ensino Superior e Pós-Graduação (IPE).

As universidades Federal de Minas Gerais (UFMG), Estadual da Bahia (Uneb) e Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), apontadas como vítimas do esquema, não se manifestaram até a última atualização desta matéria.

Sobre o uso do auditório da Secretaria Municipal de Educação de Vilhena para a divulgação dos cursos, a prefeitura informou que a liberação do espaço foi um ato aparentemente involuntário, sem qualquer ligação com as instituições investigadas ou os cursos judicializados. A prefeitura também afirmou que não possui vínculo com os responsáveis e que está à disposição das autoridades para colaborar com as investigações.

G1

VÍDEOS: Estudante de Cacoal representará Rondônia em seletiva nacional de atletismo

Luan Vitor Scharff Barbosa, de 16 anos, será o...

Cobra cascavel é encontrada perto de casas e assusta moradores de bairro em Rondônia

Uma cobra cascavel de mais de um metro de...

Bandido leva 30 segundos para matar ciclista à luz do dia e diz que crime foi a ‘mando do diabo’

Imagens feitas por câmeras de segurança ajudaram a Polícia...

Empregos com carteira assinada crescem 106% em Ariquemes no 1º trimestre

Ariquemes registrou um crescimento de 106% nas contratações com...

Mulher é baleada dentro de carro e diz não saber de onde saiu o tiro

Uma mulher de 31 anos, Eliane P.S., 31 anos,...

PF abre inquérito para apurar preços abusivos dos combustíveis

A Polícia Federal (PF) abriu inquérito para investigar possíveis crimes contra...

Caminhoneiros ameaçam greve após alta do diesel

Caminhoneiros de diferentes regiões do país voltaram a alertar...

Quarta-feira com trovoadas e pancadas de chuva em RO

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu alerta de...

Justiça indicia ex-marido de PM por feminicídio e manda prendê-lo

A Polícia Civil de São Paulo indiciou o tenente-coronel...

Execução de PM pode ter ligação com ciúmes do marido

A soldada Gisele Alves Santana, encontrada morta com um tiro...

Decisão histórica: canabidiol gratuito é garantido em RO

O Tribunal de Justiça de Rondônia (TJ-RO) declarou constitucional...

Terça-feira de chuvas e trovoadas em RO

A previsão do tempo para a Região Norte do país, nesta terça-feira (17), indica...

Pai morre após carreta conduzida pelo filho capotar em RO

Raimundo Gomes Brasil, de 71 anos, morreu no último...