Mídia Rondônia – O influenciador digital conhecido como Enzo Master se apresentou à sede da Polícia Federal em Porto Velho na tarde desta segunda-feira (19), após ter a prisão preventiva decretada pela Justiça. O jovem era alvo de investigação desde o último final de semana, quando abandonou uma mochila no saguão do aeroporto Jorge Teixeira, provocando a evacuação do terminal e mobilizando dezenas de agentes de segurança, incluindo o esquadrão antibomba. O episódio gerou forte repercussão nacional e levantou debates sobre os limites da produção de conteúdo para redes sociais.
A ação de Enzo foi registrada pelas câmeras de monitoramento do aeroporto. O objeto, deixado de forma suspeita próximo à área de embarque, obrigou a administração a isolar parte do terminal e suspender voos até a conclusão da perícia. A mochila estava vazia, mas diante da gravidade da situação, a Polícia Federal considerou o episódio como ato de risco à segurança coletiva, o que embasou o pedido de prisão preventiva. Passageiros relataram pânico, correria e atrasos que se estenderam por horas.
Acompanhado de três advogados, entre eles Jackson Chediak, o influenciador reafirmou que a atitude se tratava de uma “brincadeira de mau gosto” para gerar engajamento nas redes. Segundo Chediak, Enzo não estava foragido, como chegou a ser divulgado. “Na sexta-feira já estivemos aqui e combinamos de retornar nesta segunda. Ele não fugiu, apenas aguardou o momento oportuno para se apresentar”, disse o advogado.
Chediak também destacou que seu cliente não tinha intenção de causar danos e comparou a situação a práticas comuns de outros criadores de conteúdo. “O Enzo sempre fez desafios, vídeos de impacto, mas jamais pensou em ferir pessoas. Ele errou, reconhece isso, mas é preciso que a autoridade policial não extrapole no tratamento do caso. O processo precisa respeitar os limites legais”, acrescentou.
Na sede da PF, Enzo falou brevemente com a imprensa e demonstrou arrependimento. “Não tinha noção do problema que iria causar deixando uma mochila vazia e suspeita no saguão do aeroporto. Não pensei nas consequências, só queria fazer um vídeo diferente. Hoje percebo a gravidade”, afirmou.
O caso repercutiu fortemente nas redes sociais, onde seguidores do influenciador dividiram opiniões. Enquanto alguns defenderam que se tratou apenas de uma “piada sem graça”, outros criticaram duramente a atitude, lembrando os transtornos e riscos provocados a centenas de pessoas no terminal.
Agora, Enzo deve passar por audiência de custódia, onde a Justiça decidirá se mantém a prisão preventiva ou se concede medidas cautelares alternativas. A investigação segue para apurar se houve crime contra a segurança de transporte público e se o influenciador poderá ser enquadrado na Lei Antiterrorismo, que prevê punições severas para atos que causem pânico generalizado em locais públicos.
O episódio reacende discussões sobre os limites da busca por visibilidade nas plataformas digitais e o papel das autoridades no enquadramento jurídico de condutas que, sob a justificativa de entretenimento, podem colocar em risco a ordem e a segurança da população.





