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31 janeiro 2026

Omisso, Nikolas é diretamente responsável pela tragédia

O que deveria ser o encerramento triunfal de uma caminhada de 240 quilômetros liderada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) transformou-se em um cenário de pânico e dor. A queda de um raio nas proximidades do evento deixou dezenas de feridos, expondo uma negligência organizacional que ignora não apenas os alertas da ciência meteorológica, mas a própria segurança básica do gado fanatizado.

Os números: 42 vítimas estavam estáveis, conscientes e orientadas. Outras 30 precisaram ser levadas ao Hospital de Base do DF (HBDF) e ao Hospital Regional da Asa Norte (HRAN). Oito apresentavam quadro grave. Há registros de queimaduras nas mãos e no tórax, além de torções e casos de hipertermia ligados ao esforço físico e às condições climáticas.

A tragédia não foi um imprevisto. Desde a última sexta-feira, o Distrito Federal encontrava-se sob alerta laranja de perigo potencial para chuvas intensas, emitido pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

Com previsões de tempestades severas e descargas elétricas, a manutenção de um ato político em campo aberto, utilizando estruturas metálicas como guindastes e grades, configura uma escolha deliberada pelo risco.

A descarga elétrica percorreu um guindaste que sustentava uma bandeira — funcionando como um para-raios improvisado no centro da multidão — e atingiu manifestantes que buscavam abrigo sob a chuva.

 

De acordo com o Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF), a operação de resgate foi imediata, mas a magnitude do dano reflete a gravidade da exposição ao risco.

A irresponsabilidade de Nikolas Ferreira e dos organizadores, como a deputada Bia Kicis (PL-DF), não se encerrou no momento do raio. Em seu discurso final, o parlamentar optou por ignorar solenemente as vítimas que, minutos antes, haviam sido socorridas por 25 viaturas dos bombeiros. Enquanto dezenas de seus apoiadores eram levados a hospitais com queimaduras e em estado de choque, o deputado focou sua retórica em ataques ao Supremo Tribunal Federal e em pautas eleitorais, como a “libertação do Nordeste”.

Ao convocar milhares de pessoas para uma jornada exaustiva sob condições climáticas adversas e manter a aglomeração mesmo diante de tempestades iminentes, a liderança política assume a responsabilidade direta pela integridade física de seus seguidores.

A busca por uma “chegada apoteótica” e o engajamento digital pesaram mais do que a vida dos “patriotas” que o deputado afirma defender.

Nikolas Ferreira não apenas liderou uma caminhada; ele conduziu seus eleitores para uma cilada diabólica. (DCM)

 

 

 

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