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Porto Velho
24 outubro 2026

Enfermeiro confessa execuções na UTI e culpa hospital lotado

O enfermeiro Marcos Vinicius Silva Barbosa de Araújo, preso por suspeita de matar três pacientes no Hospital Anchieta, no Distrito Federal, afirmou inicialmente à Polícia Civil que cometeu os crimes porque o local “estava muito movimentado”. A declaração foi feita durante o primeiro depoimento após a prisão, segundo as investigações conduzidas no Distrito Federal.

Posteriormente, o técnico mudou a versão e disse que estaria “aliviando a dor dos pacientes”. Ao Fantástico, o delegado Wislley Salomão afirmou que a mudança ocorreu porque a justificativa inicial “não era plausível”. Segundo ele, Marcos não demonstrou emoção durante o interrogatório.

A Polícia Civil investiga a real motivação dos crimes e a participação de outras duas técnicas de enfermagem presas no caso, Marcela Camilly Alves da Silva e Amanda Rodrigues de Sousa. De acordo com o delegado, segundos após Marcos injetar substâncias nas veias dos pacientes, eles sofriam paradas cardíacas. Além de medicamentos, há suspeita do uso de desinfetante em dois casos.

Uma das vítimas, Miranilde Pereira da Silva, de 75 anos, sobreviveu a três paradas cardiorrespiratórias que ocorreram sempre após a aplicação das substâncias. Kássia Leão, filha da paciente, afirmou que o técnico aplicava algo na mãe a cada reanimação, inclusive na frente de médicos.

“Eu pensando que ele estava salvando a minha mãe. Ele estava matando cada vez mais ”, disse. Miranilde morreu após a quarta parada. A investigação aponta que os três presos participavam dos procedimentos de ressuscitação.

João Clemente Pereira (63); Miranilde Pereira da Silva (75) e Marcos Raymundo Fernandes Moreira (33), vítimas dos enfermeiros. Foto: Reprodução

Segundo o delegado, as duas técnicas presenciaram Marcos aplicando medicações e produtos nas vítimas e “não fizeram nada para impedir aquele resultado”. As mortes ocorreram entre novembro e dezembro de 2025, com suspeita de uso de substâncias que provocam parada cardíaca de rápida ação e difícil detecção inicial.

Em nota, o Hospital Anchieta informou que identificou situações atípicas em três óbitos na UTI e abriu investigação interna, reunindo provas em menos de 20 dias e encaminhando o material às autoridades. A instituição afirmou que solicitou a abertura do inquérito e a prisão dos suspeitos, já desligados, e declarou: “O Hospital Anchieta, também vítima da ação desses ex-funcionários, solidariza-se com os familiares e segue colaborando de forma irrestrita com as autoridades”.

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