A soldada Gisele Alves Santana, encontrada morta com um tiro na cabeça no mês passado, enviou mensagens a uma amiga se queixando dos ciúmes do marido, o tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Neto, apontou a defesa da mulher.
“Tem que controlar os ciúmes dele. Qualquer hora me mata. Fica cego. Não tenho como controlar o que falam, muito menos o que acham […]”, teria dito a PM.
Em depoimento na delegacia, a mãe da vítima afirmou que Gisele vivia um relacionamento abusivo, extremamente conturbado e que o oficial seria abusivo e violento, impondo restrições ao comportamento da filha.
Ela relatou que Gisele era proibida de usar batom, salto alto e perfume, além de ser cobrada pelo cumprimento rigoroso de tarefas domésticas.
Disse ainda que, quando a policial mencionou a intenção de se separar, o tenente-coronel teria enviado pelo celular uma foto em que aparecia com uma arma apontada para a própria cabeça.
“Recebi um áudio onde Gisele, no ano passado, pede para o pai arrumar uma casa para ela. O desespero era tanto.”, afirmou Silva.
No áudio apresentado pelo advogado, Gisele fala sobre a busca por uma casa próxima da residência dos pais para facilitar a rotina de trabalho e os cuidados com a filha.
“Não, pai, pra mim é melhor aí, rua, entendeu? Quanto mais perto daí, melhor. De manhã eu vou sair muito cedo pra ir trabalhar e aí eu vou ter que deixar a [nome da criança] dormindo aí, entendeu?”, diz a policial na gravação.
Em outro trecho, ela explica que morar mais perto ajudaria a evitar deslocamentos longos antes do trabalho.
“Então, quanto mais perto, melhor. Porque eu já deixo ela aí e já pego o trem pra ir trabalhar, entendeu? Pra não ficar tendo essa viagem aí de manhã. Eu perco muito tempo. Eu entro cedo aqui no serviço”, afirma no áudio.
O advogado da família argumenta que a mensagem indicaria que Gisele planejava deixar o apartamento onde vivia com o marido e se mudar para mais perto dos pais.
Histórico de ameaças e perseguição
Segundo o advogado Miguel Silva, há registros policiais e decisões judiciais que apontam episódios de ameaças contra ex-companheiras e também denúncias de assédio e perseguição contra policiais militares mulheres subordinadas ao oficial dentro da corporação.
Segundo a defesa da família, os episódios indicam um padrão de comportamento do policial. “É um histórico ameaçador, um histórico perseguidor”, disse o advogado.
BOs por ameaça
De acordo com Miguel Silva, uma ex-companheira do tenente-coronel registrou boletins de ocorrência contra ele entre 2009 e 2010. Segundo o advogado, em um dos registros a mulher relatou que sofria perseguições e perturbações constantes.
“Tem um boletim de ocorrência de 2010 em que uma vítima, sua ex-mulher, diz que vem sofrendo vários problemas de perturbação de sua tranquilidade.A ex-mulher se socorre de medida protetiva e diz o seguinte: ‘o autor mantém vigilância sobre a vítima, impedindo que ela se relacione com outras pessoas, ameaçando inclusive de morte’”.
(G1)





