O senador Flávio Bolsonaro afirmou à CNN ter recebido apoio do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, após a divulgação de um áudio enviado a Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.Em mensagem encaminhada à reportagem, Flávio disse que Bolsonaro o orientou a “ficar firme” diante da repercussão do caso e descartou qualquer possibilidade de a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro disputar a Presidência da República.Segundo o senador, ele esteve na residência do pai na tarde desta quarta-feira (13) para alertá-lo de que adversários políticos explorariam o episódio envolvendo o financiamento de um filme sobre a trajetória do ex-presidente. Jair Bolsonaro cumpre prisão domiciliar após condenação a 27 anos e três meses por tentativa de golpe de Estado.
“Estive com meu pai à tarde nesta quarta. Antecipei à ele que iriam explorar, de forma pejorativa e mentirosa, a questão do filme sobre a vida dele. Ele me disse pra ficar firme, pois não havia absolutamente nada de errado com o filme e que nada melhor do que a verdade para esclarecer os fatos. Errado seria usar dinheiro público para isso, como faz o PT em prol de seu projeto de poder. Disse ainda que não existe nenhuma possibilidade de Michellle ser candidata à Presidência, como alguns veículos de comunicação começaram a ventilar”, relatou.
O escândalo
Nesta quarta-feira (13), o site Intercept Brasil publicou reportagem afirmando que Flávio Bolsonaro teria negociado diretamente com Daniel Vorcaro um repasse de US$ 24 milhões — cerca de R$ 134 milhões — para financiar o filme “Dark Horse”, produção sobre a vida de Jair Bolsonaro. A publicação menciona áudios, mensagens e documentos atribuídos às conversas entre os dois.
Após convocar uma reunião de emergência com integrantes do núcleo político ligado à campanha, Flávio negou irregularidades e afirmou que conheceu o banqueiro apenas em 2024, quando o governo Bolsonaro já havia terminado. O senador voltou a defender a instalação de uma CPI para investigar o Banco Master e sustentou que o contato teve como único objetivo captar recursos privados para o longa-metragem.
“É preciso separar os inocentes dos bandidos. No nosso caso, o que aconteceu foi um filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de Lei Rouanet. Conheci Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, quando o governo Bolsonaro já havia acabado e quando não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro”, disse.
O parlamentar afirmou ainda que manteve contato com Vorcaro apenas para cobrar a retomada dos pagamentos relacionados ao patrocínio da produção cinematográfica.
“Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem. Isso é muito diferente das relações espúrias do governo Lula e seus representantes com Vorcaro. Por isso, reitero: CPI do Master já”, concluiu.
Revista Fórum





