A Justiça Eleitoral de Rondônia suspendeu a divulgação de uma pesquisa eleitoral do Instituto Veritá após identificar indícios de irregularidades no levantamento registrado sob o nº RO-02673/2026. O caso ganhou repercussão após questionamentos sobre possível ocultação de pré-candidatas ao Senado ligadas ao PT e ao PSOL no estado.
A decisão foi assinada pela juíza Letícia Botelho, relatora da Representação nº 0600128-42.2026.6.22.0000, e publicada no Diário da Justiça Eletrônico do Tribunal Regional Eleitoral de Rondônia (TRE-RO).
A representação foi apresentada pelo PSD contra o Instituto Veritá. O levantamento tinha como objetivo medir intenções de voto para os cargos de governador e senador em Rondônia.
Segundo a decisão, o principal motivo para a suspensão foi a divergência entre as datas de coleta informadas no sistema oficial PesqEle e aquelas apresentadas no relatório do próprio instituto.
No registro oficial, a coleta teria ocorrido entre os dias 4 e 8 de maio de 2026, com divulgação prevista para 11 de maio. Já no relatório anexado pelo Instituto Veritá, o período informado foi de 6 a 10 de maio de 2026.
Para a Justiça Eleitoral, a inconsistência compromete a segurança e a confiabilidade da pesquisa, já que as datas de coleta são informações essenciais para permitir fiscalização por partidos, Ministério Público e pela própria Justiça Eleitoral.
A magistrada destacou que pesquisas eleitorais sob dúvida objetiva de regularidade podem gerar efeitos imediatos e de difícil reversão junto ao eleitorado, especialmente no ambiente digital.
Além das divergências nas datas, a representação também apontou questionamentos sobre a metodologia utilizada, o detalhamento territorial do levantamento e a inclusão de perguntas consideradas estranhas ao objeto principal da pesquisa, como avaliação do governo estadual, segurança pública, saúde, educação e rodovias.
Outro ponto levantado foi a suspeita de autofinanciamento da pesquisa. Apesar disso, a Justiça Eleitoral entendeu que, isoladamente, o autofinanciamento não configura irregularidade, mas determinou que o instituto apresente esclarecimentos adicionais.
Com a decisão, o Instituto Veritá está proibido de divulgar, compartilhar, impulsionar, republicar ou manter acessível ao público qualquer conteúdo relacionado à pesquisa em sites, redes sociais, aplicativos de mensagens ou demais plataformas digitais.
Caso o levantamento já tenha sido publicado, o conteúdo deverá ser removido no prazo de 24 horas. O descumprimento da decisão pode gerar multa diária de R$ 10 mil, limitada inicialmente a R$ 100 mil, além de outras sanções previstas na legislação eleitoral.
A Justiça Eleitoral também determinou que o instituto apresente informações detalhadas sobre os municípios pesquisados, quantidade de entrevistas realizadas por localidade, critérios de conferência dos questionários, registros de coleta, metodologia aplicada e justificativas técnicas relacionadas ao plano amostral.
A suspensão tem caráter provisório e permanecerá válida até que o Instituto Veritá apresente os esclarecimentos exigidos pela Justiça Eleitoral.




