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16 junho 2026

PSOL critica recursos para shows enquanto saúde sofre em RO

O pré-candidato ao Governo de Rondônia pela Federação PSOL/Rede, advogado Luiz Carlos Teodoro, criticou duramente a aplicação de recursos públicos em eventos festivos enquanto a rede estadual de saúde enfrenta dificuldades consideradas graves. Conhecedor da realidade do setor, especialmente por sua atuação à frente da Comissão de Direitos Humanos da OAB, Teodoro afirmou que a destinação de emendas parlamentares para financiar shows e atrações nacionais demonstra uma inversão de prioridades diante das necessidades da população.

Segundo o pré-candidato, a situação revela uma contradição evidente: enquanto milhões de reais são direcionados para eventos e apresentações artísticas, hospitais públicos convivem com falta de anestesistas, medicamentos, equipamentos e insumos básicos indispensáveis para o atendimento de pacientes.

O caso mais recente citado por Teodoro envolve a 14ª edição da Expobim, realizada entre os dias 11 e 14 de junho, no município de Cujubim. Um dos destaques da programação foi o show nacional da dupla sertaneja Jads & Jadson, realizado na sexta-feira (12), com recursos provenientes de emendas parlamentares destinadas pelo deputado estadual Pedro Fernandes (PRD) e outros parlamentares.

Os defensores da iniciativa argumentam que os recursos ajudam a fortalecer a cultura, movimentar a economia local, incentivar o agronegócio, estimular o comércio e preservar tradições regionais. Para Teodoro, porém, a discussão não está na realização dos eventos em si, mas na definição das prioridades do gasto público.

“Não somos contra a cultura, os eventos populares ou as festas tradicionais dos municípios. O problema é quando faltam profissionais, medicamentos e materiais nos hospitais, enquanto recursos públicos continuam sendo direcionados para shows e entretenimento”, afirmou.

Outro exemplo citado pelo pré-candidato ocorreu em Guajará-Mirim, onde a contratação de atrações como Juliana Bonde, Bonde do Forró, Bonde do Arrocha e DJ Maluco para as festividades de aniversário do município gerou repercussão. O custo divulgado para as apresentações foi de aproximadamente R$ 450 mil, financiados por recursos públicos e emendas parlamentares.

Enquanto isso, segundo Teodoro, o Hospital Regional de Cacoal enfrenta dificuldades decorrentes da falta de anestesistas, comprometendo a realização de cirurgias e outros procedimentos. A ausência desses profissionais tem ampliado filas de espera e aumentado a pressão sobre a estrutura hospitalar.

A crise, segundo ele, não se limita a uma única unidade. Relatórios do Tribunal de Contas do Estado apontam deficiência no abastecimento de materiais, medicamentos, equipamentos e dispositivos médico-hospitalares essenciais em unidades da rede estadual de saúde.

Entre os itens apontados como fundamentais para o funcionamento dos hospitais estão seringas, agulhas, luvas, gazes, ataduras, sondas, cateteres, equipos de soro, fios cirúrgicos, materiais de esterilização, medicamentos, anestésicos, soluções intravenosas, máscaras, aventais e diversos outros produtos utilizados diariamente em centros cirúrgicos, UTIs, maternidades, emergências e unidades neonatais.

De acordo com Teodoro, a falta desses insumos obriga profissionais a trabalharem sob constante pressão e pode comprometer a qualidade do atendimento prestado à população. Em alguns casos, a ausência de materiais básicos resulta no adiamento de cirurgias, atrasos em procedimentos e dificuldades para manter o funcionamento adequado dos serviços.

Para o pré-candidato, a discussão sobre as emendas parlamentares precisa considerar as necessidades mais urgentes da população. Ele defende que os recursos públicos poderiam ser direcionados para reforçar hospitais, ampliar a contratação de profissionais especializados, garantir o abastecimento de medicamentos e reduzir gargalos históricos da saúde pública estadual.

“A população que depende do SUS enfrenta filas, demora em consultas, cirurgias represadas e falta de profissionais especializados. É legítimo questionar se a prioridade deve ser o financiamento de shows ou a garantia de atendimento digno para quem precisa de assistência médica”, destacou.

O posicionamento integra a agenda de propostas defendidas pela Federação PSOL/Rede para as áreas de saúde, educação e segurança pública, temas que o partido pretende colocar no centro do debate político em Rondônia nos próximos meses.

 

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