O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) se enfrentam neste domingo (18), na Band, no primeiro debate entre os dois candidatos nesta eleição. O encontro ocorre em São Paulo, a uma semana do segundo turno, marcado para 25 de outubro, com mediação dos jornalistas Adriana Araújo e Eduardo Oinegue.
O confronto é precedido por um dia de manifestações em apoio a Lula pelo país, com mobilizações em Copacabana, Brasília e Salvador. Caetano Veloso e Djavan participaram do ato na orla carioca, enquanto Daniela Mercury e Gilberto Gil estiveram na manifestação da capital baiana. Flávio Bolsonaro participou de um ato na Avenida Paulista, acompanhado de Tarcísio de Freitas, Ricardo Nunes e Nikolas Ferreira. Entre os participantes, um grupo levou um míssil inflável com um pedido para Donald Trump lançar um ataque nuclear contra o Brasil.
O DCM acompanha o debate ao vivo e reage simultaneamente às falas dos candidatos em transmissão da DCM TV no YouTube. Esta matéria será atualizada ao longo do confronto com os principais momentos, declarações e vídeos. Acompanhe a cobertura e os comentários em tempo real.
Segurança pública
Lula cobrou de Flávio Bolsonaro a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, enviada por seu governo ao Congresso. O presidente afirmou que a mudança permitirá ampliar a atuação federal no enfrentamento à violência e defendeu uma ação conjunta da União, dos estados e das prefeituras para recuperar territórios dominados pelo crime organizado. Também condicionou à aprovação da proposta pelo Senado a criação imediata do Ministério da Segurança Pública.
O presidente defendeu combater o crime organizado “da esquina ao andar de cima”, incluindo os ricos que, segundo ele, atuam a partir de condomínios. Lula citou a aprovação da legislação contra facções e o aumento das penas para seus integrantes, além de defender o enfrentamento às milícias. Sua resposta associou a recuperação dos territórios à proteção dos moradores e à prisão dos criminosos.
Flávio Bolsonaro prometeu declarar “guerra ao narcoterrorismo”, classificar PCC, Comando Vermelho e milícias como organizações narcoterroristas e construir mais de meio milhão de vagas no sistema penitenciário. Disse que criminosos serão presos ou “neutralizados” pelas polícias e acusou o governo de promover o desencarceramento. Embora a pergunta de Adriana Araújo também cobrasse o efeito da redução da maioridade penal sobre a segurança, o senador não explicou qual seria esse impacto e concentrou a resposta em promessas de repressão e ataques ao governo.
Economia
Lula defendeu a distribuição de renda e a circulação de dinheiro entre os trabalhadores como caminhos para estimular o crescimento econômico. Questionado sobre juros, dívida pública e o desempenho do Brasil, o presidente criticou a concentração de recursos nas mãos de poucos e afirmou que ampliar o acesso da população à renda movimenta a economia e reduz a pobreza.
O presidente citou a criação de instrumentos de apoio às pequenas empresas e aos microempreendedores individuais, além de defender incentivos para gerar empregos e desenvolvimento. Também lembrou a obtenção do grau de investimento em seus mandatos anteriores e apontou as economias digital, verde e criativa como frentes para um novo ciclo de crescimento.
Flávio Bolsonaro concentrou sua resposta em ataques ao governo e atribuiu uma queda dos juros futuros à sua vantagem no primeiro turno. Prometeu usar uma folga orçamentária que afirma poder gerar para ajudar pessoas endividadas e pagar a dívida pública. O senador responsabilizou Lula pelo custo dos alimentos e pelo endividamento, mas não detalhou medidas específicas para reduzir os juros e recuperar o grau de investimento, pontos apresentados na pergunta.
Debate livre
Lula abriu o confronto livre cobrando explicações de Flávio Bolsonaro sobre um voto contrário à ampliação da licença-maternidade para servidoras, em 2009, quando o adversário era deputado estadual. Segundo o presidente, o então parlamentar foi o único a rejeitar os dois meses adicionais para cuidar das crianças. Flávio Bolsonaro respondeu citando a esposa e as filhas e passou a questionar Lula sobre Roberta Luchsinger, sem explicar o voto. “Você não respondeu à pergunta”, cobrou o petista.
Diante das acusações do senador envolvendo Luchsinger e seu filho, Lula afirmou que o caso deve ser apurado pela Polícia Federal e disse que o filho abriu a conta bancária e o telefone à investigação. O presidente declarou que não protege familiares de apurações e afirmou que não troca o diretor da PF nem demite ministros para impedir investigações. Flávio Bolsonaro insistiu nas acusações e questionou a permanência do filho de Lula na Espanha.
Lula devolveu os ataques ao mencionar a atuação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, lembrando que o irmão do candidato de pedir uma intervenção de Donald Trump contra o Brasil. Na discussão sobre as fraudes no INSS, o presidente atribuiu a montagem do esquema ao governo de Jair Bolsonaro e afirmou que sua gestão investigou os desvios, prendeu envolvidos e ressarciu aposentados. Flávio Bolsonaro contestou a responsabilização do governo do pai e voltou a atribuir o caso à administração petista.
“Você me respeita”, reagiu Lula depois de Flávio Bolsonaro voltar a insinuar que dinheiro desviado de aposentados poderia estar sustentando o filho do presidente no exterior. O senador retomou os ataques sobre o INSS e familiares do petista, enquanto Lula contestava as acusações. Flávio Bolsonaro disse que estava “esfregando algumas verdades” no adversário e voltou a prometer que o derrotaria no segundo turno.
Lula passou a cobrar explicações sobre a relação do senador com Daniel Vorcaro e acusou o adversário de ter contado “43 mentiras” sobre o caso. O presidente afirmou que as versões apresentadas por Flávio Bolsonaro eram sucessivamente desmentidas pela imprensa e perguntou sobre a destinação de recursos que atribuiu ao ex-banqueiro. Na cobrança feita no palco, o petista mencionou R$ 134 milhões e questionou se parte do dinheiro teria sido usada para sustentar a atuação do irmão do candidato no exterior.
Flávio Bolsonaro respondeu retomando a prisão de Lula e as condenações da Lava Jato, anuladas pelo Supremo Tribunal Federal, e citou Sergio Moro e Deltan Dallagnol. O senador também propôs aos espectadores escrever a palavra “corrupto” para destacar as letras “PT”. Lula insistiu na cobrança sobre Vorcaro e voltou a acusar o adversário de mentir, enquanto os dois trocavam provocações e a mediação pedia que a plateia não se manifestasse.
Ao discutir a atuação do governo no caso Master, Lula ressaltou que Vorcaro acabou preso durante sua administração e defendeu a investigação das relações do ex-banqueiro com autoridades e participantes de suas festas. Flávio Bolsonaro contestou a atribuição de mérito ao presidente, citou o ministro André Mendonça como responsável pela ordem de prisão e acusou o governo de usar a Polícia Federal para escolher alvos e proteger aliados.
Pressionado novamente sobre a destinação dos recursos, Flávio Bolsonaro afirmou que o dinheiro foi para o filme sobre Jair Bolsonaro, a quem chamou de melhor presidente do Brasil. “Eu vou te dar uma cortesia para você assistir ao filme do Bolsonaro”, disse ao petista. Lula contestou a explicação e repetiu a pergunta sobre onde os valores foram empregados. O senador voltou a elogiar o pai e disse que Lula aplaudiria a produção.
Lula também cobrou explicações sobre a compra da mansão do adversário. O presidente disse ter um apartamento de 190 metros quadrados, avaliado em R$ 1,5 milhão, e contrapôs sua situação à aquisição de uma casa de R$ 10 milhões por Flávio Bolsonaro. Questionou como o senador, com remuneração que classificou como semelhante à sua, conseguiu comprar o imóvel. Flávio Bolsonaro respondeu que adquirir patrimônio com dinheiro do trabalho não seria um problema e voltou a lançar suspeitas sobre o filho do petista.
Depois de anunciar que queria falar de propostas, Flávio Bolsonaro passou a atacar os gastos do governo, os juros e o reajuste do Bolsa Família, ao qual atribuiu finalidade eleitoral. Lula voltou à cobrança sobre Vorcaro e disse que não mudaria de assunto enquanto o senador não explicasse o dinheiro. O adversário repetiu que os recursos foram destinados ao filme e orientou os espectadores a procurar em suas redes um áudio de Vorcaro, cuja versão usou para defender o financiamento da produção sobre o pai e renovar acusações contra o presidente.





