Dois alunos de 19 anos do curso de Medicina do Instituto Master de Ensino Presidente Antônio Carlos (Imepac), em Araguari, no Triângulo Mineiro, viraram alvo de processo administrativo disciplinar após atacarem colegas bolsistas em um grupo de WhatsApp. As ofensas ocorreram na noite de domingo (25), depois da vitória eleitoral de Luiz Inácio Lula da Silva.
Mensagens de áudio enviadas por volta das 21h50 no grupo da turma insultaram estudantes atendidos pelo Programa Universidade para Todos (Prouni) ou pelo Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). Os ataques também atingiram alunos que vendem trufas e outros produtos para custear despesas da graduação e da moradia.
Em um dos áudios, um estudante disse que quem votou em Lula deveria “pega[r] a p* da sua bolsa de Prouni, de Fies e divide com a p* do MST”. Outra mensagem atacou diretamente colegas que vendem doces: “Eu quero ver nego vender trufa para o meu lado”.
Uma estudante bolsista de 21 anos, que vende trufas para se manter em Araguari, afirmou ter se sentido humilhada pelas mensagens. “Foi discriminação socioeconômica pura”, disse ela, que preferiu não se identificar.

Imepac abriu processo disciplinar e estudantes registraram ocorrência
O Imepac informou que instaurou um Processo Administrativo Disciplinar para apurar os episódios e definir medidas cabíveis. Em nota, a instituição declarou repudiar “qualquer manifestação de intolerância ou discriminação”, seja por convicção política ou condição socioeconômica.
A universidade afirmou que seguirá as normas regimentais e garantirá o direito de defesa aos estudantes investigados. O centro universitário também disse que disponibiliza acolhimento e suporte aos alunos atingidos pelos ataques.
Os responsáveis pelas mensagens passaram a responder também a um boletim de ocorrência por difamação, registrado na manhã de quarta-feira (28). A Polícia Civil não havia informado se abriu inquérito para investigar o caso.
O Diretório Acadêmico Diogo Guimarães publicou uma nota de repúdio nas redes sociais, recebendo manifestações de apoio de estudantes. Alunos relataram que figurinhas ofensivas contra eleitores do PT já circulavam no grupo antes do primeiro turno e que os ataques se intensificaram após o resultado da eleição.




