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17 julho 2026

Brasileira rompe o silêncio e revela detalhes sobre Jeffrey Epstein

A brasileira Marina Lacerda, sobrevivente dos abusos cometidos por Jeffrey Epstein, afirmou que quer ver responsabilizados judicialmente todos os homens citados nos arquivos do caso. Em depoimento à jornalista Renata Izaal, do Globo, ela disse que decidiu romper o silêncio para pressionar pela liberação integral dos documentos mantidos pela Justiça dos Estados Unidos. “Quero que todos os homens mencionados nos arquivos de Epstein sejam levados à Justiça”, declarou.

Segundo Marina, a decisão amadureceu durante um memorial dedicado à advogada Virginia Giuffre, uma das principais responsáveis por revelar a rede internacional de exploração sexual ligada ao financista. Ela afirmou que a motivação central para tornar pública sua história foi a filha, hoje com 12 anos. “Ela está a um ou dois anos da idade que eu tinha quando fui abusada. Não quero que ela nem nenhuma outra menina passe pelo que passei”, disse. Marina contou que, ao falar pela primeira vez sobre os abusos, precisou enfrentar vergonha e medo, mas entendeu que o silêncio não a protegeria.

Nascida em Belo Horizonte, Marina se mudou ainda criança para os Estados Unidos com a mãe. Antes de ser aliciada por Epstein, relatou ter sido vítima de abusos dentro de casa, em Nova York, cometidos pelo padrasto, e afirmou que não recebeu proteção institucional. “A polícia não acreditou em mim”, contou, ao descrever a sensação de abandono que marcou sua infância e adolescência. Segundo ela, o agressor chegou a ser preso, mas por pouco tempo, e o episódio deixou consequências profundas em sua vida.

Marina Lacerda. Foto: Reprodução/TV Globo

Em situação de vulnerabilidade financeira e familiar, Marina acabou sendo levada à mansão de Epstein, em Manhattan, sob a promessa de realizar massagens. Ela afirmou que o abuso ocorreu de forma progressiva, com manipulação psicológica e exploração de sua condição migratória. “A pergunta não é por que eu ia. A pergunta é por que um homem de 45 anos faz isso com uma garota de 14”, afirmou. Segundo o relato, Epstein usava medo, dinheiro e falsas promessas para manter as meninas sob controle.

A sobrevivente disse ainda que Epstein mantinha uma rede ativa de aliciamento internacional e que exigia que algumas meninas levassem outras, inclusive brasileiras. “Epstein me mandava levar mais garotas”, afirmou. “Havia muitas de outros países, incluindo do Brasil. Algumas chegavam a Nova York enviadas pelas famílias para alugar um apartamento, estudar e ter um trabalho de meio período. De repente, estavam enviando US$ 500 por semana para casa e ninguém questionava. Preferiam não saber. Ou, na verdade, sabiam”. Segundo Marina, essas meninas acreditavam que faziam a coisa certa, e práticas semelhantes “ainda acontecem hoje, em outros lugares”.

Ao final do depoimento, Marina cobrou acesso aos próprios registros mantidos pelo FBI: “Não me parece certo que o FBI saiba antes de mim sobre coisas que aconteceram comigo”. Ela disse ainda que quer a garantia de que nenhum material esteja sendo ocultado e reiterou a cobrança por punição aos envolvidos.

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