Uma planilha vazada por um site da capital revelou o que vem sendo apontado por críticos como uma verdadeira farra na distribuição de recursos públicos destinados à publicidade institucional em Rondônia. Os dados indicam que veículos de comunicação de todo o estado recebem valores considerados altamente discrepantes por meio da agência contratada pelo Governo de Rondônia.
De acordo com uma análise inicial dos números, os repasses variam significativamente entre os órgãos de imprensa, o que levanta suspeitas de critérios políticos na divisão das verbas. Segundo as denúncias, os valores mais elevados estariam concentrados em veículos alinhados à defesa das ações governamentais e à promoção da imagem do chefe do Executivo estadual.
Outro ponto que chama atenção é que muitos dos veículos contemplados com recursos oficiais teriam adotado postura de silêncio diante de críticas à atual gestão estadual, além de ignorarem investimentos e obras federais realizadas em Rondônia, especialmente aquelas vinculadas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Críticos afirmam que o modelo teria contribuído para transformar parte da mídia local em estrutura dependente do poder público e de interesses patronais, reduzindo o espaço para vozes independentes e enfraquecendo a possibilidade de surgimento de uma terceira via política, sobretudo ligada à ala progressista no estado.
Segundo o site responsável pelo vazamento, os gastos com comunicação são executados por meio de um contrato anual estimado em cerca de R$ 33 milhões firmado com uma única agência responsável pela publicidade governamental.
A denúncia aponta ainda que, na prática, a publicidade oficial teria se tornado um monopólio concentrado na mesma empresa, que também atende contas da Assembleia Legislativa de Rondônia, da Prefeitura de Porto Velho e do Detran-RO.
Entre os formatos utilizados na execução das campanhas estariam produção de vídeos institucionais, impulsionamento em redes sociais e publicidade em ônibus da empresa Eucatur, ligada ao ex-senador cassado Acir Gurgacz.
Outro aspecto considerado grave é a presença de veículos apontados como “fantasmas”, incluindo emissoras de televisão sem audiência comprovada ou atividade jornalística regular, que também aparecem entre os beneficiários dos repasses.
O caso já começa a repercutir nos bastidores políticos e pode motivar pedidos de investigação sobre transparência, critérios técnicos e possível uso político de verbas públicas destinadas à comunicação institucional.
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