A atriz Glória Menezes morreu nesta terça-feira (18), aos 91 anos, em sua casa no Rio de Janeiro. A família comunicou a morte da atriz, que construiu uma carreira de mais de seis décadas no teatro, no cinema e na televisão brasileira.
Nascida Nilcedes Soares Guimarães, em Pelotas (RS), em 1934, ela se tornou um dos rostos mais conhecidos das novelas. Ao longo da trajetória, interpretou mocinhas, vilãs e personagens de grande repercussão em produções da Globo e de outras emissoras.
Glória Menezes iniciou a carreira no teleteatro da TV Tupi e estreou em novelas em 1959, em “Um Lugar ao Sol”, da TV Excelsior. No ano seguinte, já adotava o nome artístico que a acompanharia na vida profissional e subiu ao palco em “As Feiticeiras de Salém”, montagem dirigida por Antunes Filho.
O cinema deu projeção nacional à atriz em “O Pagador de Promessas”, de Anselmo Duarte, lançado em 1962. No longa de Dias Gomes, ela interpretou Rosa; o filme venceu a Palma de Ouro no Festival de Cannes e recebeu indicação ao Oscar de melhor filme estrangeiro.
Em 1963, Glória assumiu um papel central em “2-5499 Ocupado”, novela na qual contracenou com Tarcísio Meira. Os dois se casaram em outubro daquele ano e permaneceram juntos por 59 anos, até a morte do ator, em 2021, aos 85 anos, em decorrência da Covid-19.

O casal teve Tarcísio Filho, nascido em 1964 e também ator. Glória Menezes ainda era mãe de Maria Amélia e João Paulo, de um casamento anterior. Na TV e no teatro, ela e Tarcísio formaram uma das parcerias mais duradouras da dramaturgia brasileira.
Entre os trabalhos que reuniram os dois estão “Sangue e Areia”, “Rosa Rebelde”, “Espelho Mágico”, “Guerra dos Sexos”, “Tarcísio & Glória”, “Páginas da Vida” e “A Favorita”. Também atuaram em “Irmãos Coragem”, novela de Janete Clair exibida em 1970, na qual Glória viveu Lara, uma jovem com três personalidades.
Sem Tarcísio Meira no elenco, Glória Menezes teve personagens marcantes em “Brega & Chique”, de 1987, e “Rainha da Sucata”, de 1990. Nesta última, interpretou a vilã Laurinha Figueroa, uma mulher falida que mantinha a aparência de riqueza; a cena de suicídio da personagem, na avenida Paulista, tornou-se uma das mais lembradas da novela.
A atriz também aceitou papéis que exigiam mudanças físicas. Ela raspou a cabeça para interpretar uma monja tibetana em “Jóia Rara” e voltou a fazê-lo na peça “Jornada de um Poema”, de 2000, em que viveu uma professora com câncer.
Depois de cerca de duas décadas distante das telas de cinema, Glória participou de “Se Eu Fosse Você…”, comédia dirigida por Daniel Filho lançada em 2006. No teatro, retornou em 2013 com “Ensina-Me a Viver”, peça dirigida por João Falcão e centrada na amizade entre uma octogenária e um jovem obcecado pela morte.
Um de seus últimos papéis em novelas foi Stelinha, de “Totalmente Demais”, exibida entre 2015 e 2016. Ela ainda fez participações em atrações como “Tá no Ar: a TV na TV” e “Os Casais que Amamos” e foi homenageada no programa “Tributo”, da TV Globo, em 2025.






