O desgaste político do prefeito de Chupinguaia, Wesley Araújo, junto aos servidores municipais da educação ganhou novos capítulos nesta sexta-feira, 8, após trabalhadores da rede pública divulgarem uma nota de repúdio contra a administração municipal.
No documento, os servidores acusam a gestão de tentar distorcer a realidade financeira da categoria e manipular a opinião pública por meio de uma matéria divulgada pela assessoria da prefeitura sobre o movimento grevista dos profissionais da educação.
Segundo os trabalhadores, a publicação oficial tenta passar a imagem de que houve valorização salarial da categoria, o que é contestado pelos servidores.
De acordo com a nota, “diferente do que foi noticiado, não houve aumento real”. Os profissionais afirmam que a prefeitura apenas incorporou ao vencimento base a Gratificação por Tempo de Serviço, conhecida como anuênios e quinquênios, direitos já adquiridos pelos professores ao longo da carreira.
“A realidade é que o que a gestão chama de reajuste é apenas a transferência de uma verba que o professor já recebia de uma coluna para outra no contracheque”, afirma o documento.
Ainda segundo a categoria, a medida provoca achatamento salarial e enfraquece o plano de carreira dos profissionais da educação.
“A consequência disso é a retirada do incentivo para quem dedicou anos à educação do município”, diz outro trecho da nota.
Os servidores também acusam a administração municipal de manipular números ao divulgar salários brutos e benefícios como auxílio-alimentação e auxílio-transporte como se fossem parte do salário base.
“Auxílios não são salário e não contam para aposentadoria ou previdência”, rebate a categoria.
A nota afirma ainda que a prefeitura utilizou exemplos isolados de profissionais em final de carreira para mascarar a realidade da maioria dos trabalhadores da educação municipal.
Além das críticas sobre a questão salarial, os servidores denunciam perseguições políticas e práticas consideradas intimidatórias por parte da Secretaria Municipal de Educação.
Um comunicado interno enviado aos profissionais foi denunciado ao sindicato como tentativa de desmobilização do movimento paredista, principalmente diante da ameaça de descontos imediatos pelos dias de paralisação.
Os trabalhadores afirmam que a medida representa coação contra o direito constitucional de greve.
“O direito à greve é garantido pela Constituição Federal e a tentativa de repressão financeira antes de qualquer decisão judicial é uma prática abusiva e ilegal”, destaca a nota.
A crise entre servidores e prefeitura ocorre após o envio e aprovação de um Projeto de Lei encaminhado pelo prefeito Wesley Araújo à Câmara Municipal, medida que provocou forte reação da categoria e motivou mobilizações recentes no município.
Na nota, os trabalhadores também criticam o discurso da prefeitura de usar investimentos em infraestrutura escolar como argumento para justificar a política salarial da gestão.
“Reforma de escola e uniforme são obrigações básicas de gestão e possuem verbas carimbadas. Não existe escola de qualidade sem profissional respeitado e motivado”, afirmam os servidores.
Ao final, a categoria pede apoio da população de Chupinguaia, especialmente dos pais e alunos da rede municipal.
“A educação de seus filhos é feita por pessoas, não apenas por prédios e propaganda”, conclui o documento.
O espaço segue aberto para manifestação da Prefeitura de Chupinguaia e da Secretaria Municipal de Educação sobre as denúncias apresentadas pelos servidores.





