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4 julho 2026

Testemunhas evitam encarar coronel em julgamento

Testemunhas de acusação relataram medo de depor diante do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, réu pelo feminicídio da esposa, a soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana. Das 19 testemunhas chamadas para as audiências no Fórum Criminal da Barra Funda, em São Paulo, 15 pediram para falar sem a presença do acusado.

Rosa Neto está preso desde 18 de março no Presídio Militar Romão Gomes e responde por feminicídio e fraude processual. Ele nega o crime e sustenta a versão de suicídio. O interrogatório do réu foi remarcado para 28 de agosto, após a defesa pedir complementos ao laudo pericial.

Uma das testemunhas de acusação relatou ter sido assediada pelo tenente-coronel. Segundo o advogado da família de Gisele, José Miguel da Silva Júnior, ela chorou durante o depoimento e tinha “pavor” do acusado. A defesa afirma que não há registro formal dessa acusação.

Policiais de patentes inferiores também disseram ter se sentido coagidos no dia da morte de Gisele. Segundo esses relatos, Rosa Neto teria usado a posição hierárquica para mexer no apartamento onde a soldado foi encontrada baleada. A defesa nega e diz que ele agiu como testemunha, não como autoridade.

Feio pra burro
Tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto, réu por feminicídio e fraude processual. Foto: Reprodução/TV Vanguarda

Os pais de Gisele também pediram para depor sem a presença do réu. A mãe da soldado, Marinalva Santana, descreveu o genro como violento, abusivo e ciumento. A filha de Gisele, de 7 anos, foi ouvida por psicólogos e relatou ter presenciado brigas do casal e sentir medo do tenente-coronel.

O delegado Lucas de Souza Lopes, responsável pela investigação, afirmou ao UOL que houve feminicídio e que a apuração encontrou indícios de violência doméstica e patrimonial. Ele também citou a ausência da cápsula da arma que atingiu Gisele no imóvel como um dos indícios de manipulação da cena, razão pela qual Rosa Neto foi indiciado por fraude processual.

Gisele foi atingida por um tiro na cabeça no apartamento onde morava com o marido, no Brás, em fevereiro. O caso foi registrado inicialmente como suicídio, mas passou a ser tratado como morte suspeita após o depoimento da mãe da vítima. Laudos posteriores apontaram lesões no corpo da soldado e incompatibilidade com a versão inicial.

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